TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH) - Fonte: DSM-IV-TR

 

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O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade. Algum prejuízo devido aos sintomas deve estar presente em pelo menos dois contextos (em casa, na escola ou trabalho). Deve haver claras evidências de interferência no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional apropriado em termos evolutivos.

Os indivíduos com este transtorno não prestam atenção a detalhes ou podem cometer erros por falta de cuidados nos trabalhos escolares ou outras tarefas. O trabalho é confuso e realizado sem meticulosidade, nem consideração adequada. Os indivíduos têm dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas e consideram difícil persistir em tarefas até seu término. Eles dão a impressão de estarem com a mente em outro local, ou de não escutarem o que recém foi dito.

Pode haver freqüentes mudanças de uma tarefa inacabada para outra. Iniciam uma tarefa, passam para outra, depois voltam a atenção para outra coisa antes de completarem qualquer uma de suas incumbências. Não atendem a solicitações ou instruções e não conseguem completar o trabalho escolar, tarefas domésticas ou outros deveres.

As tarefas que exigem um esforço mental constante são vivenciadas como desagradáveis e aversivas. Por conseguinte, esses indivíduos evitam ou têm forte antipatia por atividades que exigem dedicação ou esforço mental prolongados ou que exigem organização ou concentração (trabalhos escolares ou burocráticos).

Os hábitos de trabalho são desorganizados e os materiais necessários para a realização da tarefa são espalhados, perdidos ou manuseados com descuido e danificados. São sujeitos distraídos por estímulos irrelevantes e habitualmente interrompem tarefas em andamento para dar atenção a ruídos ou eventos triviais que em geral são facilmente ignorados por outros (a buzina de um automóvel, uma conversa ao fundo). Se atrapalham nas atividades diárias (faltam a compromissos marcados, esquecem de levar o lanche para o trabalho ou a escola).

Nas situações sociais, a desatenção pode manifestar-se por freqüentes mudanças de assunto, falta de atenção ao que os outros dizem, distração durante as conversas e falta de atenção a detalhes ou regras em jogos ou atividades.

A hiperatividade manifesta-se por inquietação, por não permanecer sentado quando deveria, por correr ou subir excessivamente em coisas quando isto é inapropriado, por dificuldade em brincar ou ficar em silêncio em atividades de lazer, por freqüentemente parecer estar "a todo vapor" ou "cheio de gás" ou por falar em excesso.

O diagnóstico deve ser feito com cautela em crianças pequenas. Os bebês e pré-escolares com este transtorno diferem de crianças ativas, por estarem constantemente irrequietos e envolvidos com tudo à sua volta; eles andam para lá e para cá, movem-se "mais rápido que a sombra", sobem ou escalam móveis, correm pela casa e têm dificuldades em participar de atividades sedentárias em grupo durante a pré-escola (para escutar uma história, por exemplo).

Em adolescentes e adultos, os sintomas assumem a forma de sensações de inquietação e dificuldade para envolver-se em atividades tranqüilas e sedentárias. A impulsividade manifesta-se como impaciência, dificuldade para protelar respostas, responder antes de as perguntas terem sido completadas, dificuldade para aguardar sua vez e interrupção freqüente ou intrusão nos assuntos de outros, ao ponto de causar dificuldades em contextos sociais, escolares ou profissionais.

Outros podem queixar-se de dificuldade para se expressar adequadamente. Os indivíduos com este transtorno fazem comentários inoportunos, interrompem demais os outros, metem-se em assuntos alheios, agarram objetos de outros, pegam coisas que não deveriam tocar e fazem palhaçadas.

A impulsividade pode levar a acidentes (derrubar objetos, colidir com pessoas, segurar inadvertidamente uma panela quente) e ao envolvimento em atividades potencialmente perigosas, sem consideração quanto às possíveis conseqüências.

As manifestações comportamentais aparecem em múltiplos contextos, incluindo a própria casa, a escola, o trabalho ou situações sociais. Para fazer o diagnóstico, algum prejuízo deve estar presente em pelo menos dois contextos. É raro um indivíduo apresentar o mesmo nível de disfunção em todos os contextos ou dentro do mesmo contexto em todos os momentos.